segunda-feira, 8 de junho de 2009

Jornalismo-reportagem: a Brasileiros vai lá

Eu sinto muito orgulho de trabalhar numa revista como a Brasileiros. O texto abaixo, de autoria de Ricardo Kotscho, demonstra uma das vertentes do jornalismo praticado aqui que me satisfaz muito.

Fonte: http://www.revistabrasileiros.com.br/secoes/balaio-do-kotscho/noticias/725/

Jornalismo-reportagem: a Brasileiros vai lá
Brasileiros não telefona nem manda recados para saber o que está acontecendo de novo neste nosso imenso país: vai lá

Numa época em que boa parte do noticiário da velha e da nova mídia agora é produzida em entrevistas por telefone ou e-mail, com os repórteres saindo pouco de casa ou da redação, não deixa de ser alentador encontrar nas bancas uma revista como a Brasileiros, onde eu também trabalho, e que pode ser lida aqui no site ou mesmo no iG.

A edição de junho, com o cineasta José Padilha na capa - "Garapa - Cinema contra a fome" - já está nas bancas de São Paulo e, na próxima semana, vai ser distribuída nas principais cidades brasileiras.

Brasileiros não telefona nem manda recados para saber o que está acontecendo de novo neste nosso imenso país: vai lá. Desde o número zero, o objetivo de sua pequena equipe é mostrar personagens e cenários de um Brasil que não está na mídia.

Mês que vem, o sonho acalentado por toda uma geração de jornalistas brasileiros inspirados pela lendária revista Realidade, da Editora Abril, a melhor publicação impressa já criada no país, vai completar dois anos de vida.

É quase um milagre que uma revista mensal de reportagens, fora do main stream, sem a retaguarda de qualquer investidor capitalista, tocada apenas por jornalistas, sobreviva tanto tempo num mercado dominado por duas grandes empresas editoras e duas distribuidoras.

"Revista Brasileiros. Entenda profundamente." Este é o tema da belíssima campanha criada pelo Sergio Valente, da DM9DDB, já exibida na televisão e nos cinemas, que resume bem o espírito da revista. De fato, Brasileiros vai fundo nos assuntos e não economiza no espaço quando tem uma boa história para contar.

Na edição de junho, além da matéria de capa produzida no sertão do Ceará, onde Padilha filmou "Garapa", que ocupa 16 páginas, escrita por mim e com fotos antológicas de Manoel Marques, Brasileiros publica belas reportagens:

*"Revelações do assessor de Jango" - Contada por Washington Luiz de Araújo, a história de mais de meio século de vida do ex-deputado Cláudio Braga, cassado pela ditadura, que foi secretário particular de Jango em quase todo o tempo de exílio do ex-presidente e que hoje vive em Montevidéu.

* "O dia em que Sartre fundiu a cuca" - O repórter Alex Solnik resgata as cinco horas de entrevista, ao vivo, em francês, sem tradução e sem intervalo comercial levada ao ar numa TV brasileira no começo da década de 1960.

* "Os dois lados da Raposa Serra do Sol" - Com textos de José Cesar Magalhães e Daniel Veloso Hirata, e fotos de Fábio Braga, três jovens que se dedicam a "descobrir e registrar situações problemáticas e importantes do Brasil, mas nem sempre evidentes", a revista conta o que há por trás do conflito entre índios e arrozeiros em Roraima, no extremo norte do país.

Tem muito mais na 114 páginas da edição número 23, ainda com poucos anúncios, mas o suficiente para que a gente vá sobrevivendo nesta floresta de títulos que cobrem as nossas bancas de jornal.

Tema de várias teses de mestrado e TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso) em diferentes faculdades do país, a revista contraria a velha história de que brasileiro não gosta de ler textos mais longos. Se a história for boa e bem contada, lê, sim - e ainda faz pesquisa acadêmica

Por ter fé no Brasil e certeza de que este país tem jeito, apesar de todos os seus problemas e desafios seculares, os editores da revista comandada por Hélio Campos Mello, meu velho parceiro, fotógrafo de respeito, que foi por muitos anos diretor de redação da IstoÉ, publicam na última página, desde o primeiro número, a pergunta "Você acredita no Brasil?". Destaco duas respostas na edição que está nas bancas:

Danilo Santos de Miranda, diretor regional do SESC São Paulo:

"Sim, acredito! () "Em todos os meus papéis desempenhados como gestor, pai, eleitor e cidadão, atuei sempre com fé e segundo os princípios de que contribuímos de muitas formas para mudar o Brasil, a começar pela transformação do próprio olhar e pela forma como desejamos e expressamos ao mundo nossa maneira peculiar de lidar com a criatividade, com os prazeres e as dificuldades".

Danielle Matos Santos, 29 anos, assistente de cozinha:

"No Brasil eu acredito, mas não nas pessoas. Aqui ninguém respeita mais ninguém, as coisas estão muito difíceis. O Brasil é um país rico em terra, florestas e, principalmente em água doce. Já temos tudo, está aqui, mas as pessoas estão acabando com isso, não somente no Brasil, mas no mundo () Quer saber? Às vezes eu acho o Brasil uma bosta e, às vezes, uma maravilha, assim como a minha vida".

O preço da mercadoria? Apenas R$ 7,90, nas melhores bancas.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Lugares de São Paulo.




Avenida Nove de Julho e seu verde. Homenagem a Raul Cortez e visão interna da sede da Fecomercio.

Novo Cine Marabá.






Detalhes do novo Cine Marabá, na Avenida Ipiranga, São Paulo/SP.
Parabéns ao grupo PlayArte por apostar na revitlização não só desse histórico cinema, mas também no entorno do imóvel. É a cultura do cinema de rua voltando para a vida dos paulistanos.

Brasileiros na UnoMarketing





Mais uma parceria da Revista Brasileiros. UnoMarketing. 02/06 a 05/06/2009. Fecomercio - São Paulo/SP

terça-feira, 2 de junho de 2009

Exposição no Museu da Língua Portuguesa.

Museu da Língua Portuguesa recebe a França em grande exposição “O Francês no Brasil em todos os sentidos”
A partir de 11 de maio de 2009 em São Paulo

Museu Língua Portuguesa em São Paulo
Mostra trará pontos de contato entre as culturas brasileira e francesa; cenografia terá até uma rua parisiense no Museu da Estação da Luz

Foi aberta ao público, em 11/05, no Museu da Língua Portuguesa, a exposição “O Francês no Brasil em todos os sentidos”, primeira mostra binacional do Museu e também a primeira que não terá por tema uma obra literária ou autor. “Será um novo desafio que enfrentaremos com sucesso: levar ao público o diálogo entre duas culturas, não somente no universo literário e do idioma”, explica Antonio Carlos Sartini, diretor do Museu da Língua Portuguesa.

A curadoria também será franco-brasileira: à frente do lado francês do projeto, estão Henriette Walter, lingüista, e Benoit Peeters, teórico, crítico e roteirista. Pelo Brasil, a curadoria é do poeta e doutor em francês Álvaro Faleiros, com consultoria do escritor Milton Hatoum.

A exposição será permeada pelos pontos de contato dos idiomas e culturas dos dois países, Brasil e França. A começar por um pouco das origens comuns do idioma português e francês – e suas diferenças também. O público verá, por exemplo, como palavras de origem francesa foram absorvidas e transformadas pela língua portuguesa.

Culinária, moda, ciência, dança, música e literatura também serão abordadas, pois todas essas formas de arte no Brasil carregam uma forte influência da cultura francesa. O Francês no Brasil em todos os sentidos vai apresentar, também, como a nossa cultura assimilou e transformou as influências francesas de modo que muitas delas não são mais reconhecidas.

Será uma mostra com grande aparato cenográfico, dividida em 14 espaços expositivos diferentes, separados de acordo com o tema abordado. Além de uma cenografia muito especial (onde, por exemplo, será reproduzida uma típica rua de Paris), a exposição contará com recursos audiovisuais modernos para exibição de vídeos e áudios.

“Os curadores tiveram o maior cuidado de pensar uma exposição sobre o francês para pessoas que não falam tal idioma, já que grande parte dos nossos visitantes são estudantes. Entretanto, para os visitantes que dominam o francês a mostra trará boas surpresas também”, antecipa o diretor do Museu.

Sobre o Museu da Língua Portuguesa
Inaugurado em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, da Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado de São Paulo, foi criado pela Fundação Roberto Marinho no prédio da Estação de Luz, no Centro de São Paulo. Com aproximadamente 4 mil metros quadrados abertos para a visitação, que já receberam mais de 1,5 milhão de pessoas, o Museu da Língua Portuguesa apresenta ao público a história, a importância e as variações da língua Portuguesa, considerando-a como grande elo da identidade cultural do povo brasileiro. Além disso, oferece cursos e eventos para professores, estudiosos e público em geral, tudo sobre gestão da Poiesis – Organização Social de Cultura.

Serviço Museu da Língua Portuguesa

Endereço:
Praça da Luz, s/nº, Centro
São Paulo – SP
CEP: 01120-010

Contatos:
Telefone: (11) 3326-0775

E-mail: museu@museudalinguaportuguesa.org.br
Site: www.museudalinguaportuguesa.org.br

Horários
Bilheteria: de terça a domingo, das 10 às 17hs
Museu: de terça a domingo, das 10 às 18hs (não abre às segundas-feiras)
Obs: às últimas terças de cada mês, o horário é estendido até 22hs – bilheterias fecham às 21hs.

Ingresso: R$ 4,00 (quatro reais) – pagamento somente em dinheiro
Estudantes com carteirinha pagam meia-entrada
Isentos do pagamento de ingresso:

Professores da rede pública com holerite e carteira de identidade;
Crianças até 10 anos;
Adultos a partir de 60 anos.
Não há venda antecipada de ingresso.

Aos sábados a visitação ao Museu é gratuita.

Mais informações para a imprensa
Comunicare Consultoria de Comunicação
Adriana Cavalcanti – adriana@e-comunicare.com.br
Fabio Alberici de Mello – fabio@e-comunicare.com.br
Vivian Teixeira – vivian@e-comunicare.com.br
Tel.: (11) 5594 4174
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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Em primeira mão, a capa!


A capa da edição 23 da Brasileiros em primeira mão.

Indignação!!!!!!

Um elemento que se julga superior enviou para mim um e-mail com a seguinte frase:
"Que no Nordeste só tem vagabundo é um fato. Se fossem trabalhadores, os estados do Nordeste estariam melhores do que São Paulo."

Minha resposta foi a que segue:


Deixando totalmente de lado a questão politica, falo apenas como cidadão deste tão grande país.

Sou nordestino, legitimo!! Nascido em casa, numa pequena e pobre cidade do interior pernambucano nos idos de 1967. Meu pai era como a grande maioria de sua época: pobre, com baixa escolaridade e sem perspectivas de melhora enquanto residente em Água Preta/PE. Mas havia algo dentro dele e de minha mãe que o impulsionou: o desejo de dar um futuro, senão imediatamente melhor, mas com possibilidades maiores ao seu primeiro filho. Os dois empenharam-se então numa arriscada viajem na época de Pernambuco até São Paulo. Eu tinha pouco mais de um ano de vida. Ao chegar aqui, este dito "vagabundo" apenas por ser nordestino, tornou-se peão de obra. Logo, graças a sua força interior e força física, já era encarregado de obras, sendo o responsavel por centenas de outros trabalhadores "vagabundos" que chegaram do nordeste com a mesma intenção de melhora na vida. Esse senhor, meu pai, chamado de "vagabundo" só por que nasceu no nordeste do país, deixou escrito de forma eterna seu nome em São Paulo através do concreto de obras feitas para os paulistanos de raça "pura e superior": Rodovia Imigrantes, Barragens e Eclusas do Rio Tiête, Metrô de São Paulo, linhas de transmissão de energia que ligam São Paulo ao sistema Furnas (algumas de suas unidades inclusive dentro das terras dos "vagabundos") etc. Suou todos os dias de sua juventude desde o raiar ao anoitecer, envelhecendo e construindo, ombro a ombro com "vagabundos" trabalhadores nordestinos, mineiros, capixabas, sulistas e até paulistas o estado em que hoje moram alguns que se consideram mais "puros, superiores, trabalhadores e inteligentes" que seus iguais. Eu sou nordestino! Eu não sou "vagabundo", meu pai não é "vagabundo", minha mãe não é "vagabunda", meu avô, minha avó, meus tios não são "vagabundos". Todos, absolutamente todos da minha família são trabalhadores que enfrentam suas dificuldades e adversidades e aproveitam suas conquistas com total honestidade, labuta e muito, mas muito mesmo, amor ao próximo. Amor ao próximo explicito em suas prontas ajudas a todo e qualquer cidadão, independente de sua origem. Minha família me ensinou assim! Eu ensino assim aos meus filhos, aos meus amigos, aos meus colaboradores em meu trabalho. Eu ajo assim com a minha esposa! Eu sou nordestino e não sou vagabundo!!!!!! Não admito que minha família e meus conterrâneos sejam chamados assim!!!!!